Casa Fragmentada

Ensaio para uma vida coletiva alternativa

Em arquitetura, trabalha-se sobre produtos da adaptação do espaço ao Homem, criados por ele mesmo, pelo que ao mesmo tempo corresponde a um resultado e um reflexo da sua relação com o mundo que o rodeia. Deste modo, o espaço doméstico não é um produto inventado do zero e acabado, mas antes o resultado do acumular de experiências, que a humanidade vai colecionando e aprimorando, desde os seus primórdios (quando ainda se abrigava nas cavernas) até aos dias de hoje. Compreender o Homem, nas suas várias dimensões, o seu espírito e vontades, o meio em que vive e a sociedade em que se insere, torna-se essencial para criar espaços habitacionais que melhor sirvam o seu estilo de vida e necessidades. 

Vivemos, hoje, tempos de grande instabilidade e incerteza. A realidade da sociedade, diversa e em constante transformação, associado ao crescente peso que o espaço virtual tem ganho nas nossas vidas, vem criando novos estilos de vida com novas necessidades, às quais o espaço doméstico tem que dar resposta. Para além disso, vem também alterando o sentido de casa, que é  hoje, cada vez menos um reduto autossuficiente e isolado do exterior, e está mais que nunca conectada e dependente do território em que se insere, onde o indivíduo encontra espaços e serviços que a complementam e que o espaço virtual aproxima. Assim, a casa vêm-se fundindo com a cidade numa “paisagem doméstica interminável” que alberga a vida do indivíduo, onde a célula doméstica é apenas mais um espaço, de uma casa composta por fragmentos que se espalham pela cidade.

A presente dissertação pretende compreender estas transformações que foram ocorrendo na sociedade, os novos desafios que estas colocam ao espaço doméstico e que papel tem hoje na vida do Homem. Assim, dirige-se o olhar para a habitação plurifamiliar, para a forma como pensamos e habitamos estes edifícios, acreditando que neles existem fragilidades que podem ser superadas, mas também potencialidades que podem ser exploradas e que podem vir a ser importantes face aos desafios que o presente, mas também o futuro apresenta. Deste modo, olha-se para diversas abordagens alternativas ao pensamento destas estruturas e dos espaços que a compõem, com as quais se pode aprender a explorar as potencialidades de viver em edifícios de habitação plurifamiliar. 

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https://hdl.handle.net/10216/141887