
uma espécie de arquivo

Baú é o espaço onde as palavras, imagens e projetos que nalgum momento fizeram parte da paisagem dos meus dias, e findo esse tempo de convívio tão íntimo, irão repousar. Será uma cápsula do tempo, um campo de cultivo de memórias do que fui, porque existo em tudo o que penso e desfaço-me naquilo que faço.
Aqui nenhuma associação ou narrativa será imposta, quer-se um arquivo vivo, aberto à surpresa de novos olhares, que revelem diálogos até então escondidos por debaixo do manto do silêncio. Para tal, como nesses fiéis depositários de madeira, este espaço é destituído compartimentos. Elementos oriundos de diferentes tempos e naturezas coabitam, estabelecem diálogos, contam histórias, põe-se em causa e contradizem-se. O imaginável é válido.
No entanto, questões práticas se levantam, e como disse a contradição é bem-vinda. Quatro gavetas arrumam os elementos dispersos, organizam-nos em grupos: no circulo, a palavra é o instrumento, é onde se reunem os escritos; no triângulo, o espaço, estão compilados os trabalhos que orbitam o mundo da arquitetura; no quadrado, a luz é a matéria, é onde se encontram as imagens; por fim a linha, o elemento que constrói todas as outras formas, aí convivem as referências que vou colecionando.
Assim, o Baú oferece-se a dois olhares possíveis: para o olhar eficaz, que sabe o que procura, as gavetas, para o olhar errante, que se quer deixar encontrar, basta deslizar.
um, dois, três, teste, som, teste, som, som, teste, um, dois, um, dois, três, teste, som
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